A decisão expôs fragilidades na articulação política do governo junto ao Senado, especialmente na relação com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, que, nos bastidores, teria atuado contra a aprovação do nome de Messias. O episódio ocorre em um momento sensível para o Planalto, diante de um cenário político desafiador e da proximidade de disputas eleitorais.
O placar da votação foi de 42 votos contrários e 34 favoráveis, evidenciando a forte resistência à indicação. O relator do processo, Weverton Rocha, classificou a rejeição como “uma injustiça enorme” e afirmou que Lula não pretende apresentar um novo nome para a vaga no Supremo, ao menos por ora.
Reação de Messias e bastidores da rejeição
Após a votação, Jorge Messias se pronunciou em tom emocionado, destacando ter sido alvo de um processo de desgaste ao longo dos últimos meses. Sem citar nomes, declarou: “Nós sabemos quem promoveu tudo isso”, sugerindo articulações contrárias à sua indicação.
O advogado-geral da União também mencionou ter enfrentado uma campanha de desinformação, mas afirmou sair do processo com “coração leve” e gratidão pela confiança depositada pelo presidente Lula. Ele ressaltou o respeito à decisão do Senado, destacando a importância de saber “ganhar e perder” dentro das regras democráticas.
A indicação de Messias já enfrentava resistência desde sua escolha, anunciada ainda em novembro de 2025. A demora no envio formal ao Senado, ocorrido apenas em abril deste ano, foi atribuída a tensões políticas, incluindo divergências com Alcolumbre, que defendia a indicação de Rodrigo Pacheco para o Supremo.
Contexto histórico e resistência recorde
A rejeição de Messias quebra um longo histórico de aprovações. Desde a Constituição de 1988, todas as indicações presidenciais ao STF haviam sido aprovadas após sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). No total, foram 29 nomes confirmados até então.
O caso atual remete ao ano de 1894, durante o governo do marechal Floriano Peixoto, quando cinco indicações foram rejeitadas pelo Senado sob a vigência da Constituição de 1891. Naquele período, não havia sabatinas públicas como as atuais, e os critérios para aprovação eram menos definidos.
Entre os casos históricos, destaca-se o do médico Cândido Barata Ribeiro, que chegou a atuar como ministro do STF antes de ser rejeitado por não possuir notável saber jurídico, conforme exigido pelos senadores da época.
Comparação com indicações recentes
A votação de Jorge Messias apresentou o maior nível de resistência entre as indicações contemporâneas ao STF. Veja alguns dos placares mais recentes:
* Cristiano Zanin: 58 a 18
* Flávio Dino: 47 a 31
* André Mendonça: 47 a 32
* Kassio Nunes Marques: 57 a 10
* Alexandre de Moraes: 55 a 13
* Edson Fachin: 52 a 27
* Luiz Fux: 68 a 2
* Dias Toffoli: 58 a 9
* Cármen Lúcia: 55 a 1
Próximos passos
Apesar da rejeição inédita em mais de um século, Jorge Messias afirmou que seguirá sua trajetória no serviço público e que não encara o episódio como um fim. Já o governo Lula enfrenta o desafio de reorganizar sua base no Congresso e redefinir estratégias de articulação política diante de um cenário mais adverso.

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