O Brasil registrou 830.890 roubos e furtos de celulares em 2025, segundo dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. O número representa uma redução de 9% em relação às 909.753 ocorrências registradas em 2024.
A queda foi puxada principalmente pelos roubos, que recuaram 18,6%, passando de 377.787 casos, em 2024, para 308.723 no ano passado. Já os furtos apresentaram crescimento de 0,9%, saltando de 477.326 para 483.561 ocorrências.
Os furtos já correspondem a 61% das subtrações de celulares. Diferentemente do roubo, muitas vezes a vítima só percebe o desaparecimento do aparelho algum tempo depois, situação comum em locais movimentados e no transporte público. Em 2025, foram registrados, em média, aproximadamente 1.325 furtos de celulares por dia.
Perda do celular pode afetar orçamento das famílias
O celular se tornou uma ferramenta essencial para a vida cotidiana dos brasileiros. Além da comunicação, os aparelhos concentram aplicativos bancários, pagamentos via Pix, contatos, compromissos, documentos e diversas outras funcionalidades.
Por isso, a perda ou o roubo do equipamento pode representar um impacto financeiro significativo para as vítimas. Pesquisa sobre expansão de seguros inclusivos em comunidades periféricas, realizada pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) e pelo Instituto Locomotiva, aponta que 60% dos entrevistados já tiveram o celular levado ou conhecem alguém que passou por essa situação sem conseguir comprar outro imediatamente.
O levantamento também mostra a dificuldade financeira enfrentada por muitas famílias: 53% afirmaram não conseguir cobrir todas as despesas básicas do mês, enquanto 36% conseguem pagar as contas, mas terminam o mês sem sobra. Apenas 11% disseram ter algum recurso disponível ao final do período.
Nesse cenário, a necessidade de comprar outro aparelho de forma inesperada pode levar ao endividamento ou obrigar a família a utilizar recursos destinados a despesas essenciais, como alimentação, transporte e moradia.
Para quem utiliza o celular como ferramenta de trabalho, os prejuízos podem ser ainda maiores. Profissionais que dependem do aparelho para receber pedidos, atender clientes, realizar pagamentos ou acessar plataformas digitais podem enfrentar interrupções nas atividades e perda de renda.
Dados pessoais também estão em risco
Além do aparelho físico, os criminosos podem ter interesse nos dados armazenados no celular. Aplicativos bancários, carteiras digitais, documentos, redes sociais e informações pessoais podem ser utilizados em tentativas de fraude, transferências indevidas, empréstimos e golpes contra a própria vítima ou seus contatos.
Uma pesquisa realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Datafolha, em março de 2026, revelou que 78,8% da população teme ter o celular roubado ou furtado. O receio de sofrer golpes pela internet ou pelo telefone é ainda maior, chegando a 83,2%.
Diante desse cenário, especialistas recomendam uma resposta rápida em caso de perda, furto ou roubo, com o bloqueio do aparelho, da linha telefônica, das contas bancárias e dos acessos vinculados ao dispositivo.
Seguros podem ajudar a reduzir prejuízos
Para o presidente da Comissão de Seguros Gerais Afinidades da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), Sidemar Sprincigo, a ampliação dos riscos relacionados ao celular exige uma proteção integrada.
Segundo ele, o seguro para celular pode ajudar na reposição do aparelho em determinadas situações, enquanto o chamado seguro Pix pode oferecer cobertura para prejuízos decorrentes de situações previstas na apólice, como transferências realizadas sob coação ou determinadas modalidades de fraude.
No seguro para celular, as coberturas podem incluir roubo, furto qualificado e danos acidentais, dependendo do contrato. Já as coberturas relacionadas ao Pix variam conforme a apólice e podem contemplar situações específicas de coação ou fraude.
É importante destacar que a proteção não é automática para todos os tipos de golpes ou transferências. Os eventos cobertos, limites de indenização, franquias e exclusões dependem das condições contratadas.
Consumidor deve ficar atento antes de contratar
Antes de contratar um seguro, o consumidor deve comparar o valor do prêmio, a franquia, os critérios de indenização, a possibilidade de depreciação do aparelho, os documentos exigidos e as situações que não estão cobertas.
Também é importante verificar a diferença entre furto simples e furto qualificado, já que as duas situações podem receber tratamentos diferentes nas apólices.
O valor do celular, o tempo de uso do equipamento e a importância do aparelho para o trabalho ou os estudos também devem ser considerados na decisão.
O seguro não impede roubos ou furtos e não substitui os cuidados de segurança digital. No entanto, pode ajudar a reduzir o impacto financeiro de uma perda inesperada e evitar que o prejuízo comprometa de forma significativa o orçamento familiar.