Desde o último sábado (4), a governadora Raquel Lyra e o ex-prefeito do Recife João Campos estão impedidos de participar de inaugurações de obras públicas, conforme determina a Lei nº 9.504/1997, que rege as eleições no Brasil. A partir de agora, os dois principais pré-candidatos ao Governo de Pernambuco deverão concentrar suas agendas em encontros internos com lideranças políticas e atividades permitidas pela legislação eleitoral.
De acordo com o advogado especialista em Direito Eleitoral Emílio Duarte, o artigo 77 da Lei das Eleições estabelece que “é proibido a qualquer candidato comparecer, nos três meses que antecedem o pleito, a inaugurações de obras públicas”. O descumprimento da norma pode resultar na cassação do registro da candidatura ou até do diploma, caso a condenação ocorra após a eleição.
A restrição afeta principalmente a governadora Raquel Lyra, que vinha intensificando uma agenda de entregas de obras, inaugurações e assinaturas de ordens de serviço em diversas regiões do Estado. Nos últimos dias antes do início da proibição, a gestora realizou uma verdadeira maratona de compromissos entre o Sertão e o Litoral, além de promover, na sexta-feira (3), um encontro no Palácio do Campo das Princesas com prefeitos e deputados para assinatura de convênios e liberação de emendas parlamentares.
Já João Campos também utilizava inaugurações como estratégia de fortalecimento político. Na última sexta-feira, participou da entrega do Hospital do Amor Dona Lindu, em Garanhuns, evento que reforçou sua aproximação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante a solenidade, o ex-prefeito recebeu uma ligação do presidente, que foi divulgada em suas redes sociais. Lula, no entanto, não compareceu presencialmente ao evento e tem evitado visitas a Pernambuco, optando por participações em vídeo.
Segundo Emílio Duarte, a legislação é rigorosa. “A simples presença do candidato em uma inauguração, mesmo sem discursar ou ser citado, já pode caracterizar infração passível de cassação”, explica.
Nova estratégia de campanha
Com o fim das inaugurações, os dois pré-candidatos precisarão reformular suas estratégias de pré-campanha. A expectativa é que as redes sociais ganhem ainda mais protagonismo, além de reuniões reservadas com lideranças políticas e agendas partidárias.
Nos bastidores, analistas avaliam que a intensa agenda de entregas realizada por Raquel Lyra nos últimos meses contribuiu para o crescimento de sua popularidade nas pesquisas eleitorais. Por outro lado, João Campos deixou a Prefeitura do Recife no início de abril para disputar o Governo do Estado, encerrando sua participação em inaugurações municipais, o que também alterou sua dinâmica política.
Disputa pelo Senado segue movimentando os bastidores
Outro tema que desperta atenção é a disputa pelas vagas ao Senado. O senador Humberto Costa vem ampliando sua base de apoio entre prefeitos e lideranças políticas, fortalecendo sua candidatura à reeleição.
Até o momento, Raquel Lyra mantém distância das articulações envolvendo a disputa ao Senado, embora o cenário possa mudar durante a campanha, principalmente diante das pressões de seus aliados. Enquanto isso, Humberto Costa também evita confrontos públicos com integrantes do PT que permanecem apoiando a governadora.
Pergunta que não quer calar
Com as convenções partidárias marcadas para o dia 2 de agosto, a expectativa agora é saber quais estratégias e novidades Raquel Lyra e João Campos apresentarão para manter o ritmo da pré-campanha sem a possibilidade de participar de inaugurações de obras públicas.

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