A proposta considera ainda uma inflação de 3,6%, crescimento de 2,46% do Produto Interno Bruto (PIB), taxa básica de juros (Selic) média de 12,53% e câmbio médio de R$ 5,22 por dólar.
Salário mínimo de R$ 1.741
O valor projetado para o salário mínimo em 2027 representa um aumento de R$ 120 em relação aos atuais R$ 1.621. A alta nominal será de aproximadamente 7,4%.
A estimativa considera uma variação de 4,93% do INPC acumulado em 12 meses até novembro, além de um ganho real de 2,3%.
Segundo o economista André Galhardo, o reajuste possui impactos positivos e negativos sobre a economia. O aumento beneficia principalmente trabalhadores e famílias de menor renda ao ampliar o poder de compra, mas também eleva despesas previdenciárias e pode aumentar a pressão sobre as contas públicas.
Para o economista, o ganho real é importante diante da evolução do custo de vida, especialmente para as famílias que enfrentam maiores dificuldades com despesas essenciais.
Galhardo também avalia que o aumento pode contribuir para fortalecer o consumo das famílias de menor renda, que ainda sentem os efeitos da elevação dos preços registrada nos últimos anos, principalmente em itens essenciais e na alimentação.
Bolsa Família terá R$ 157,09 bilhões
Para o Bolsa Família, a PLOA 2027 prevê R$ 157,09 bilhões, sem reajuste nos valores pagos aos beneficiários.
O montante é inferior aos R$ 158,6 bilhões previstos no Orçamento de 2026 e aos R$ 167,2 bilhões projetados para 2025.
Na avaliação de André Galhardo, a manutenção do orçamento acompanha a redução do número de beneficiários registrada nos últimos anos. O economista relaciona esse movimento ao processo de revisão dos cadastros e também à melhora do mercado de trabalho.
Segundo ele, a fiscalização dos cadastros tem contribuído para retirar do programa pessoas que não se enquadram mais nos critérios, enquanto a geração de empregos também reduz a necessidade de transferência de renda para parte das famílias.
Governo prevê superávit primário
A proposta orçamentária estima um superávit primário de R$ 18,6 bilhões em 2027, valor equivalente a pouco mais de 0,1% do PIB.
De acordo com o Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO), considerando os descontos previstos pelo Regime Fiscal Sustentável para efeito de cumprimento da meta, o resultado ajustado chega a R$ 83,4 bilhões.
Para Galhardo, a previsão representa um avanço na trajetória de reequilíbrio das contas públicas, embora o espaço fiscal continue limitado.
O economista destaca que o governo precisará manter atenção sobre as despesas ao longo de 2027 e poderá recorrer ao contingenciamento ou bloqueio de recursos caso seja necessário garantir o cumprimento da meta fiscal.
A avaliação é de que o processo de ajuste deve ocorrer de maneira gradual, evitando medidas abruptas que possam provocar uma desaceleração mais forte da economia.
Margem fiscal continua apertada
Apesar da previsão de resultado positivo, o economista considera que a margem para criação de novas despesas permanece reduzida. Entre os fatores que podem pressionar as contas públicas estão o crescimento dos gastos previdenciários e eventuais mudanças no comportamento da atividade econômica.
A ausência de uma reforma mais ampla pelo lado das despesas, segundo Galhardo, limita a capacidade do governo de alcançar resultados fiscais mais expressivos.
Tramitação no Congresso
A PLOA 2027 será analisada inicialmente pela Comissão Mista de Orçamento (CMO). Depois, o projeto será apreciado pelo Congresso Nacional e, após a conclusão da tramitação, seguirá para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
As projeções apresentadas na proposta ainda podem sofrer alterações durante a discussão e votação do Orçamento no Legislativo.

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