O Partido Liberal (PL) divulgou nesta segunda-feira (16) uma nota oficial criticando o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o Carnaval. Na avaliação do partido, a apresentação extrapolou a mera narrativa histórica sobre o chefe do Executivo e incorporou elementos de “evidente conotação político-eleitoral”.
Segundo o PL, o desfile incluiu o uso de jingles de campanha, menção repetida ao número de urna do presidente, presença de alas com o símbolo do PT, exaltação de promessas de governo e tratamento depreciativo a segmentos da sociedade ligados à oposição. “Esses elementos criaram uma narrativa de bem contra mal, com claro desvio de finalidade de recursos públicos”, afirmou a legenda na nota.
O partido também citou reportagens que indicam que empresários com contratos com o governo federal teriam sido procurados para contribuir financeiramente com a escola de samba e que integrantes do Palácio do Planalto teriam participado da escolha de artistas presentes no desfile. Para o PL, caso essas informações sejam confirmadas, haveria uso da estrutura da Presidência da República como instrumento de interferência na disputa eleitoral, caracterizando um cenário “inédito” que desafia a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A sigla defende que a Justiça Eleitoral tome as “providências cabíveis”.
PT rebate acusações e defende liberdade cultural
Em nota, o Partido dos Trabalhadores (PT) afirmou que não houve irregularidade eleitoral no desfile da Acadêmicos de Niterói, ocorrido no último domingo (15). Segundo o partido, a homenagem foi uma manifestação artística autônoma da escola de samba, sem participação direta do presidente ou do partido.
“A concepção, desenvolvimento e execução do desfile ocorreram de forma autônoma pela agremiação carnavalesca, sem participação, financiamento, coordenação ou qualquer ingerência do Partido dos Trabalhadores ou do presidente Lula”, destacou a nota.
O PT reforçou que a liberdade de expressão cultural é garantida pela Constituição e que as alegações de propaganda eleitoral antecipada não têm fundamento.
O episódio gerou repercussão sobre os limites entre manifestações culturais e possíveis usos políticos de eventos públicos, levantando debate sobre como a Justiça Eleitoral deve atuar em situações envolvendo grandes desfiles carnavalescos com conteúdo político.

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