O resultado indica estagnação em relação a 2024, quando o Brasil havia registrado 34 pontos. De acordo com a organização, a variação de um ponto não é estatisticamente significativa e mantém o país bem abaixo da média global e da média das Américas, ambas em 42 pontos.
Considerado o principal indicador mundial sobre corrupção no setor público, o IPC é elaborado a partir da análise de até 13 fontes independentes, que reúnem a percepção de especialistas, pesquisadores e executivos sobre práticas corruptas e mecanismos de prevenção adotados pelos Estados.
Na comparação internacional, o Brasil aparece ao lado do Sri Lanka, que também obteve 35 pontos, e atrás de países como Argentina, Belize e Ucrânia, todos com 36 pontos. No topo do ranking estão Dinamarca (89), Finlândia (88) e Cingapura (84). Já Somália e Sudão do Sul ocupam as últimas posições, com apenas 9 pontos cada.
Segundo a Transparência Internacional, o desempenho brasileiro reflete um cenário marcado por sucessivos casos de macrocorrupção e pela persistência de fragilidades institucionais. Para o diretor executivo da entidade no Brasil, Bruno Brandão, o país vive uma contradição institucional. “Embora o Brasil tenha chamado a atenção internacional pela resposta firme do Supremo Tribunal Federal na responsabilização de envolvidos em atentados contra a democracia, o país também chocou o mundo com escândalos de corrupção em escala inédita e episódios de impunidade”, afirmou.
Paralelamente à divulgação do IPC, a organização lançou o relatório Retrospectiva 2025, que aponta um agravamento da infiltração do crime organizado no Estado brasileiro, especialmente por meio da corrupção no sistema financeiro e na advocacia. O documento destaca operações de grande impacto ao longo do ano, como investigações sobre desvios de emendas parlamentares, fraudes previdenciárias no INSS e o caso classificado como a maior fraude bancária já registrada no país, envolvendo o Banco Master.
Apesar de reconhecer avanços pontuais — como a ampliação do uso de inteligência financeira no combate à lavagem de dinheiro —, a Transparência Internacional critica a atuação do governo federal em alguns episódios, considerada tardia e politicamente controversa.
Diante desse cenário, a entidade defende a retomada urgente de uma agenda consistente de enfrentamento à corrupção, com maior coordenação entre instituições e fortalecimento dos mecanismos de controle e transparência. O relatório traz recomendações direcionadas aos três Poderes e a órgãos essenciais à Justiça, incluindo medidas para reforçar a integridade na administração pública, investigar desvios em emendas parlamentares, assegurar transparência em acordos de leniência, aprimorar regras de conduta no Judiciário e garantir o cumprimento do teto constitucional de remuneração.
Para a Transparência Internacional, sem ações estruturais e contínuas, o Brasil corre o risco de permanecer estagnado — ou até retroceder — no combate à corrupção, com impactos diretos sobre a confiança nas instituições democráticas e o desenvolvimento do país.

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