Senador licenciado e escalado pelo próprio presidente para coordenar a estratégia eleitoral da região Nordeste, Wellington Dias deve deixar temporariamente o ministério a partir de julho para atuar diretamente no período das convenções partidárias.
Confirmação oficial
Ao comentar os cenários eleitorais nos estados nordestinos, o ministro afirmou que Pernambuco está entre os locais onde a estratégia do chamado “palanque duplo” já está sendo adotada.
“Lá temos o João Campos e a Raquel Lyra”, declarou Dias, citando Pernambuco ao lado de Maranhão e Paraíba. A fala é considerada significativa por partir justamente de um dos principais responsáveis pela articulação política da campanha de Lula na região.
O ministro também contextualizou a relação entre o PT e a governadora Raquel Lyra, lembrando que ela disputou as eleições de 2022 como adversária do campo petista, mas adotou posição de neutralidade no segundo turno. Segundo a avaliação, houve uma aproximação gradual entre setores do PT e a atual gestão estadual, embora sem uma aliança formal consolidada.
Cenário eleitoral
A declaração ocorre em meio ao aquecimento da disputa pelo Governo de Pernambuco. Pesquisa Datafolha divulgada no último dia 28 de maio apontou Raquel Lyra com 48% das intenções de voto, enquanto o prefeito do Recife, João Campos, apareceu com 43%.
O levantamento marcou a primeira vez em que a governadora surge numericamente à frente do socialista em pesquisa do instituto, consolidando um momento positivo para a atual administração estadual.
Além da vantagem nas intenções de voto, a pesquisa registrou crescimento na aprovação da gestão de Raquel Lyra, que passou de 60% para 67%.
Apoio de Lula era aposta do PSB
Nos bastidores políticos, o apoio exclusivo de Lula era visto por integrantes do PSB como um fator capaz de alterar o equilíbrio da disputa estadual. A avaliação era de que um posicionamento claro do presidente poderia fortalecer a candidatura de João Campos diante da força da máquina estadual e da ampla base de prefeitos alinhados à governadora.
A visita de João Campos a Brasília, no final de maio, foi interpretada como uma tentativa de buscar uma definição do presidente sobre o cenário pernambucano. No entanto, após o encontro, nenhuma mudança prática foi anunciada.
Agora, com a declaração pública de Wellington Dias, a estratégia do governo federal parece oficialmente definida: Lula deverá manter diálogo e apoio político com os dois principais nomes da disputa estadual.
Pressão e desconforto
A confirmação também acontece em meio ao desconforto crescente dentro do PSB. Na semana passada, a Coluna do Estadão revelou que dirigentes socialistas estariam insatisfeitos com o que classificam como “fogo amigo” do PT e já discutem os impactos da relação entre os partidos para as eleições futuras.
Segundo a publicação, a indefinição sobre o palanque presidencial em Pernambuco é um dos principais fatores de atrito entre as legendas. Havia expectativa de que Lula anunciasse apoio exclusivo a João Campos após reunião realizada no Palácio do Planalto, mas a declaração nunca ocorreu.
Com a fala de Wellington Dias, a sinalização política passa a ser outra: o presidente pretende preservar relações tanto com João Campos quanto com Raquel Lyra, evitando escolher um lado neste momento.
Disputa segue aberta
Apesar do cenário atual favorável à governadora, a eleição pernambucana ainda está longe de uma definição. Pernambuco possui histórico de campanhas marcadas por mudanças rápidas de rumo e forte competitividade.
João Campos segue como uma das principais lideranças políticas do estado e deverá protagonizar uma disputa acirrada contra Raquel Lyra. Entretanto, o quadro atual indica dificuldades adicionais para o socialista, já que a esperada migração de prefeitos não ocorreu, o desgaste da gestão estadual não se refletiu nas pesquisas e o apoio exclusivo de Lula, ao que tudo indica, não fará parte da estratégia petista para Pernambuco.

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