Segundo dados do Procon-SP, foram registradas 10.617 reclamações nos sete primeiros meses deste ano, contra 6.437 no mesmo período de 2025.
Entre os principais problemas relatados pelos consumidores está a demora ou falta na entrega de produtos. De janeiro a julho, foram 3.672 reclamações relacionadas a esse motivo, número 13,5% superior às 3.234 queixas registradas durante todo o ano de 2025.
Considerando também os registros parciais de agosto, o número de reclamações por não entrega ou atraso na entrega chega a 3.858 em 2026.
Os dados históricos do Procon-SP indicam ainda que as reclamações tendem a aumentar no segundo semestre, principalmente durante a Black Friday e o período de compras para o Natal. Em 2025, novembro registrou 1.231 reclamações, enquanto dezembro teve 1.723, maior volume mensal da série apresentada pelo órgão.
Consumidores também relatam problemas em sites de reclamação
No Reclame Aqui, a reputação das Casas Bahia passou de “Regular” para “Bom” entre junho e julho. Ainda assim, entre os principais problemas apontados pelos consumidores estão atrasos nas entregas, dificuldades para conseguir estornos, produtos não recebidos e mercadorias com defeitos.
Reclamações publicadas nesta terça-feira (18) relatam situações semelhantes às apontadas pelo Procon-SP.
Uma consumidora de Minas Gerais afirmou ter comprado uma geladeira e um fogão por R$ 3.828, pagos via Pix. A entrega estava prevista para 5 de agosto, mas não ocorreu. Depois de vários contatos sem solução, ela cancelou a compra no dia 13 e informou que ainda aguardava o reembolso.
Outro consumidor, de Brasília (DF), relatou esperar há quase um mês pelo estorno de um produto que chegou danificado e foi devolvido no dia seguinte. Segundo ele, foram abertos diversos chamados, mas o dinheiro ainda não havia sido devolvido.
Também existem relatos de problemas na troca de produtos enviados incorretamente. Uma consumidora de Picos (PI) contou que comprou um guarda-roupa e uma cômoda em março e, meses depois, ao montar os móveis, percebeu que parte do guarda-roupa havia sido entregue em uma cor diferente da escolhida. O pedido de troca foi feito em 7 de julho, mas, até esta terça-feira, o produto ainda não havia sido recolhido pela transportadora.
Movimento nas lojas diminuiu
Nesta terça-feira (18), a Folha de S.Paulo visitou três unidades das Casas Bahia nas regiões central e sul de São Paulo. Funcionários ouvidos pela reportagem afirmaram que o movimento caiu consideravelmente desde a semana anterior, mesmo com promoções e queimas de estoque.
A aposentada Maria Pereira, de 63 anos, disse que tomou conhecimento do pedido de recuperação judicial pela imprensa, mas afirmou que a notícia não alterou sua disposição de continuar comprando na rede.
“Gosto muito da Casas Bahia, tenho até cartão da loja. Só fico triste pelos funcionários demitidos, das lojas fechando. Mas de resto, desde que entreguem meu produto, eles que se resolvam lá”, afirmou.
Durante a própria visita à loja, porém, Maria enfrentou um problema relacionado ao cartão. Ela perguntou qual era o limite disponível para uma compra e recebeu a informação de que teria R$ 4 mil. No momento de finalizar a operação, foi informada de que o limite disponível era, na realidade, de R$ 3 mil.
Recuperação judicial não retira direitos dos consumidores
O pedido de recuperação judicial não altera, por si só, os direitos dos consumidores. A empresa continua obrigada a cumprir as ofertas e as demais regras previstas no Código de Defesa do Consumidor.
Em casos de atraso na entrega, por exemplo, o consumidor pode exigir o cumprimento da oferta, aceitar outro produto equivalente ou cancelar a compra e solicitar a restituição do valor pago.
A recomendação é guardar a nota fiscal, comprovantes de pagamento, prazo informado para a entrega e protocolos de atendimento. Caso o problema não seja solucionado pela empresa, o consumidor pode procurar os órgãos de defesa do consumidor ou recorrer à Justiça.
Casas Bahia afirma que operações seguem normalmente
Procurada, a Casas Bahia afirmou que continua operando normalmente tanto nas lojas físicas quanto no comércio eletrônico e que está adotando medidas para preservar a continuidade das atividades.
De acordo com a companhia, entre as medidas estão a garantia do abastecimento das lojas e o cumprimento dos pedidos realizados pelos clientes, com foco na continuidade do atendimento e na experiência do consumidor.
O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo no domingo (16). A empresa declarou uma dívida de R$ 17,3 bilhões. O processo envolve dez empresas da holding e ainda precisa ser analisado pela Justiça.
Segundo a companhia, a crise financeira está relacionada, entre outros fatores, ao aumento dos juros, à restrição de crédito, ao encarecimento do custo financeiro e à pressão sobre o consumo.
No segundo trimestre, o grupo informou prejuízo de R$ 10,1 bilhões, contra uma perda de R$ 555 milhões registrada no mesmo período de 2025.

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