quarta-feira, 22 de abril de 2026

Padre denunciado por intolerância religiosa vai pedir desculpas em missa: entenda acordo com família de Preta Gil


O padre Danilo César, da Paróquia de Areial, na Paraíba, firmou um acordo de retratação com a família da cantora Preta Gil no âmbito de um processo cível por danos morais que tramita na 41ª Vara da Comarca do Rio de Janeiro. O caso tem origem em declarações feitas pelo religioso durante uma missa no ano passado, consideradas ofensivas e enquadradas como intolerância religiosa. O acordo foi fechado no dia 11 de abril, mas ainda depende de homologação da Justiça.

Pelos termos estabelecidos, o padre deverá fazer um pedido público de desculpas à família da artista, citando nominalmente o pai dela, o músico Gilberto Gil, além de outros familiares. A retratação será realizada durante uma missa transmitida pelo canal oficial da paróquia no YouTube — o mesmo ambiente onde ocorreram as falas que motivaram a ação judicial.

A escolha da plataforma busca garantir que o pedido de desculpas tenha alcance semelhante ao das declarações originais. No acordo, o religioso reconhece o caráter ofensivo de suas falas e admite que elas causaram sofrimento aos familiares da cantora.

Com a conciliação, o padre evita o pagamento de uma indenização fixada em R$ 370 mil. No entanto, caso não cumpra a obrigação de se retratar no prazo de até 30 dias úteis após a homologação judicial, estará sujeito a uma multa de R$ 250 mil.

Além disso, o acordo prevê a doação de oito cestas básicas a uma instituição a ser indicada pela família Gil, no prazo de dez dias após a validação do termo. A Diocese de Campina Grande, responsável pela paróquia, também integra o acordo.

Acordo também na esfera criminal

O caso também teve desdobramentos na área criminal. Em fevereiro, o padre firmou um acordo de não persecução penal com o Ministério Público Federal na Paraíba, evitando responder criminalmente pelo episódio.

Entre as medidas previstas, o religioso participou de um ato inter-religioso realizado no mesmo mês, que contou com a participação remota de Gilberto Gil, que se manifestou sobre o caso.

O acordo criminal também estabeleceu uma série de obrigações educativas, incluindo a leitura e produção de resenhas manuscritas de obras como A Justiça e a Mulher Negra, de Lívia Santana, e Cultos Afro-Paraibanos, de Valdir Lima, além da análise do documentário Obatalá, o Pai da Criação.

Outras exigências incluem o cumprimento de 60 horas de cursos sobre intolerância religiosa, com comprovação por certificados, sendo necessário apresentar pelo menos 20 horas e as três resenhas até o fim de junho. O padre também realizou o pagamento de R$ 4.863 à Associação de Apoio aos Assentamentos e Comunidades Afrodescendentes (AACADE).

Relembre o caso

O episódio ocorreu no dia 27 de julho do ano passado, durante uma homilia em Areial. Na ocasião, o padre mencionou a morte de Preta Gil, que faleceu nos Estados Unidos em decorrência de um câncer colorretal, associando o falecimento às crenças da artista em religiões de matriz afro-indígena.

A missa foi transmitida ao vivo pelo YouTube da paróquia de São José, mas o vídeo acabou sendo removido após forte repercussão negativa nas redes sociais.

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