domingo, 23 de agosto de 2026

PL enfrenta déficit de R$ 80 milhões no início da campanha eleitoral de 2026

Detentor de uma fatia de R$ 882 milhões do Fundo Eleitoral, a maior entre os partidos brasileiros, o Partido Liberal (PL) iniciou oficialmente a campanha eleitoral de 2026 com um déficit estimado em R$ 80 milhões entre os recursos disponíveis para financiar suas candidaturas e a demanda apresentada por seus candidatos em todo o país.

Além dos recursos do Fundo Eleitoral, a legenda também conta com verbas do Fundo Partidário. A principal aposta do PL é a candidatura presidencial liderada pelo senador Flávio Bolsonaro, que tem o deputado federal alagoano Alfredo Gaspar como candidato a vice.

A gestão dos recursos está sob responsabilidade do presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto. Nas últimas semanas, o dirigente passou a receber em seu gabinete e atender telefonemas de integrantes da legenda interessados em saber sobre a liberação dos valores solicitados para as campanhas.

Em 2026, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) distribuiu aproximadamente R$ 4,9 bilhões do Fundo Eleitoral entre 30 partidos. A divisão considera critérios como o tamanho das bancadas eleitas para a Câmara dos Deputados quatro anos antes.

Gastos na pré-campanha pressionam caixa do partido

Segundo relatos de bastidores, Valdemar Costa Neto reconheceu a interlocutores próximos que houve um erro na administração dos recursos do partido. Dos R$ 150 milhões que estavam reservados no Fundo Partidário, cerca de R$ 120 milhões teriam sido utilizados ainda durante a fase de pré-campanha.

Com as candidaturas oficializadas e o início da campanha, diversos candidatos do PL voltaram a procurar o dirigente em busca de recursos. A justificativa apresentada é de que os valores utilizados anteriormente na pré-campanha seriam diferentes daqueles previstos para financiar a campanha oficial.

Um dos fatores que influenciaram a estratégia de vários candidatos foi o entendimento adotado pelo TSE em 2024 no julgamento envolvendo o senador Sergio Moro, atual candidato do PL ao governo do Paraná.

Na ocasião, a Corte absolveu por unanimidade Moro da acusação de abuso de poder econômico relacionada à campanha de 2022. O TSE considerou razoável o volume de recursos utilizado pelo então candidato durante a pré-campanha, equivalente a 17,5% do teto de gastos estabelecido para a disputa ao Senado pelo Paraná.

Valdemar promete mudança para as próximas eleições

O entendimento do TSE acabou servindo de referência para diversos candidatos do PL em 2026, que passaram a solicitar recursos em proporção semelhante para fortalecer suas pré-campanhas.

Agora, diante da pressão sobre os cofres da legenda, Valdemar Costa Neto teria manifestado a aliados a intenção de mudar a estratégia para os próximos pleitos.

A partir das eleições de 2028, a proposta defendida pelo dirigente é que os gastos realizados pelos candidatos durante a pré-campanha sejam descontados previamente do valor total destinado a cada candidatura para a campanha oficial.

A medida, caso seja adotada pelo partido, deverá alterar a forma de distribuição dos recursos e exigir maior planejamento financeiro dos candidatos do PL desde os primeiros meses do calendário eleitoral.

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