Detentor de uma fatia de R$ 882 milhões do Fundo Eleitoral, a maior entre os partidos brasileiros, o Partido Liberal (PL) iniciou oficialmente a campanha eleitoral de 2026 com um déficit estimado em R$ 80 milhões entre os recursos disponíveis para financiar suas candidaturas e a demanda apresentada por seus candidatos em todo o país.
Além dos recursos do Fundo Eleitoral, a legenda também conta com verbas do Fundo Partidário. A principal aposta do PL é a candidatura presidencial liderada pelo senador Flávio Bolsonaro, que tem o deputado federal alagoano Alfredo Gaspar como candidato a vice.
A gestão dos recursos está sob responsabilidade do presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto. Nas últimas semanas, o dirigente passou a receber em seu gabinete e atender telefonemas de integrantes da legenda interessados em saber sobre a liberação dos valores solicitados para as campanhas.
Em 2026, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) distribuiu aproximadamente R$ 4,9 bilhões do Fundo Eleitoral entre 30 partidos. A divisão considera critérios como o tamanho das bancadas eleitas para a Câmara dos Deputados quatro anos antes.
Gastos na pré-campanha pressionam caixa do partido
Segundo relatos de bastidores, Valdemar Costa Neto reconheceu a interlocutores próximos que houve um erro na administração dos recursos do partido. Dos R$ 150 milhões que estavam reservados no Fundo Partidário, cerca de R$ 120 milhões teriam sido utilizados ainda durante a fase de pré-campanha.
Com as candidaturas oficializadas e o início da campanha, diversos candidatos do PL voltaram a procurar o dirigente em busca de recursos. A justificativa apresentada é de que os valores utilizados anteriormente na pré-campanha seriam diferentes daqueles previstos para financiar a campanha oficial.
Um dos fatores que influenciaram a estratégia de vários candidatos foi o entendimento adotado pelo TSE em 2024 no julgamento envolvendo o senador Sergio Moro, atual candidato do PL ao governo do Paraná.
Na ocasião, a Corte absolveu por unanimidade Moro da acusação de abuso de poder econômico relacionada à campanha de 2022. O TSE considerou razoável o volume de recursos utilizado pelo então candidato durante a pré-campanha, equivalente a 17,5% do teto de gastos estabelecido para a disputa ao Senado pelo Paraná.
Valdemar promete mudança para as próximas eleições
O entendimento do TSE acabou servindo de referência para diversos candidatos do PL em 2026, que passaram a solicitar recursos em proporção semelhante para fortalecer suas pré-campanhas.
Agora, diante da pressão sobre os cofres da legenda, Valdemar Costa Neto teria manifestado a aliados a intenção de mudar a estratégia para os próximos pleitos.
A partir das eleições de 2028, a proposta defendida pelo dirigente é que os gastos realizados pelos candidatos durante a pré-campanha sejam descontados previamente do valor total destinado a cada candidatura para a campanha oficial.
A medida, caso seja adotada pelo partido, deverá alterar a forma de distribuição dos recursos e exigir maior planejamento financeiro dos candidatos do PL desde os primeiros meses do calendário eleitoral.

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