O Ministério da Saúde decidiu prorrogar por mais seis meses a permanência dos médicos que ingressaram no primeiro edital do Mais Médicos Especialistas. A medida foi publicada nesta quarta-feira (26) no Diário Oficial da União e beneficia 676 profissionais, que poderão continuar atuando no programa até fevereiro de 2027.
Os médicos contemplados ingressaram na primeira etapa da iniciativa, em setembro de 2025. A extensão dos contratos dependerá da adesão dos profissionais e da manifestação de interesse dos serviços de saúde onde eles atuam.
Segundo o secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Felipe Proenço, a prorrogação ocorre enquanto o governo avalia um modelo permanente para garantir a continuidade e a fixação dos especialistas em regiões que enfrentam dificuldades para contratar esses profissionais.
“Os 676 que começaram no ano passado são objeto dessa prorrogação que foi publicada hoje no Diário Oficial. Os 451 chegaram recentemente, nos últimos dias, e estão começando a fazer os procedimentos. Tudo junto compõe os 2 mil”, explicou.
Atualmente, os especialistas estão distribuídos por cerca de 690 estabelecimentos de saúde em 380 municípios. Mais da metade dos profissionais atua no interior do país, principalmente no Nordeste, no Norte de Minas Gerais e na região Norte, consideradas áreas com maior carência de médicos especialistas.
O Ministério da Saúde afirma que os profissionais são direcionados para unidades que já possuem estrutura para atendimento, mas enfrentam dificuldades devido à falta de especialistas para determinados procedimentos.
Em Bocaiuva, em Minas Gerais, por exemplo, a chegada de um especialista fez a média de endoscopias realizadas na cidade passar de sete para 104.
Outro exemplo citado pelo ministério é o Acre, onde existem apenas quatro cirurgiões oncológicos em todo o estado. Destes, três fazem parte do Mais Médicos Especialistas, o equivalente a 75% dos profissionais dessa especialidade no estado.
Governo estuda permanência definitiva
Além da prorrogação temporária, o Ministério da Saúde avalia alternativas para manter os especialistas de forma definitiva nas regiões que apresentam maior dificuldade de fixação de profissionais.
Entre as possibilidades está a criação de novos vínculos de trabalho, incluindo o regime CLT, além de mecanismos de progressão de carreira e incentivos financeiros para médicos que permaneçam em localidades consideradas de difícil fixação.
A pasta também mantém uma parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) para acompanhar a atuação dos profissionais e avaliar os impactos provocados pela chegada dos especialistas nos serviços de saúde.
Para Felipe Proenço, a contratação de especialistas precisa estar integrada à expansão da estrutura de saúde. “Não adianta construir hospitais ou policlínicas, essa estratégia tem que vir muito casada. Se eu penso que vou construir um hospital intermediário, a estratégia da residência tem que vir junto naquele estado”, afirmou.
Região Norte é prioridade
A região Norte está entre as principais prioridades do programa. De acordo com o Ministério da Saúde, apenas cerca de 6% dos médicos especialistas do país estão concentrados na região, enquanto entre 54% e 55% estão no Sudeste.
No Amazonas, a concentração é ainda maior: 92% dos especialistas estão somente em Manaus. Para estimular a atuação em outras localidades da região, o programa oferece bolsas com valores diferenciados.
A remuneração para médicos especialistas que atuam pelo programa na região pode chegar a R$ 20 mil por 20 horas semanais, como parte da estratégia do governo para ampliar o atendimento especializado e reduzir as desigualdades na distribuição desses profissionais pelo país.

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