O já conturbado cenário da sucessão estadual ganha mais um capítulo. O Solidariedade (SD) decidiu, ontem, durante uma reunião das suas lideranças, marcar para o dia 4 de agosto a convenção que definirá o apoio da sigla à chapa majoritária que vai concorrer ao governo do Estado. Em nota, o partido informou que “há um grau elevado de insatisfação” na legenda que “culminou com a forma do governador, Paulo Câmara (PSB), em, sem diálogo, retirar a secretaria de habitação do Estado da indicação partidária do deputado federal Kaio Maniçoba (SD)”. Isso ocorre depois de serem iniciadas conversas, no último final de semana, entre o pré-candidato ao governo de Pernambuco pela frente das oposições, Armando Monteiro Neto (PTB), e o presidente regional do SD, o deputado federal Augusto Coutinho.
Kaio Maniçoba ocupava o cargo de secretário estadual da habitação, como indicação do MDB. Na janela partidária, Kaio migrou para o SD. Em tempos pré-eleitorais, a expectativa do SD era aumentar o espaço na gestão Paulo Câmara.
Ainda na nota, o partido diz que as suas lideranças sabem “o tamanho e a importância que o partido tem em Pernambuco, de forma a não aceitar a redução de seu papel de ação em Pernambuco”.
O encontro do SD contou com a participação das principais lideranças, da comissão executiva e dos principais pré-candidatos. Segundo a nota, na reunião “foram expostas dificuldades de concretizar acordos administrativos em todas as esferas”, indicando que “a necessidade de ajustes da relação entre a legenda e o governo” se deu antes do episódio da secretaria de habitação.
O sentimento das lideranças do Solidariedade é de que o partido está “subdimensionado”, como falou o presidente regional da legenda, o deputado federal Augusto Coutinho, na semana passada. Em Pernambuco, o SD tem três prefeituras, oito vice-prefeitos e 60 vereadores, além de um deputado estadual, Alberto Feitosa.
A indefinição do SD é vista com bons olhos por quem está do lado oposto ao governo. “Estamos confiante na ampliação da frente das oposições, incorporando novos partidos”, contou Armando Monteiro Neto, lembrando apenas que foi iniciada uma conversa com Augusto Coutinho e “não há nada fechado”. No último dia 21, o deputado estadual André Ferreira (PSC) e o prefeito de Jaboatão, Anderson Ferreira (PR), anunciaram o rompimento com o governo e passaram a fazer parte do Pernambuco Vai Mudar.
E, por último, o adiamento da convenção do SD também passa por outra incógnita: a pré-candidatura de Marília Arraes (PT) ao governo de Pernambuco. A consolidação dessa pré-candidatura só vai ocorrer se o PSB não fechar um acordo nacional com o candidato petista que vai disputar a Presidência.
Pelas informações divulgadas na semana passada, o PSB está perto de fechar um acordo, em nível nacional, apoiando o pré-candidato Ciro Gomes (PDT) à Presidência. A assessoria do governo de Pernambuco informou que não se pronuncia sobre a questão partidária.

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