terça-feira, 24 de abril de 2018

Paulo Câmara abraça o tema da segurança


Por Paulo Veras/JC
Um ano após lançar um megaplano de segurança orçado em R$ 290 milhões para tentar contornar o recrudescimento na violência, apontado como principal calo no caminho pela reeleição, o governador Paulo Câmara (PSB) começa a explorar politicamente o assunto frente a uma mudança recente da curva após o ano mais violento do Estado desde o lançamento do Pacto pela Vida, em 2007. Nos três primeiros meses de 2018, o número de homicídios recuou 19% em relação ao primeiro trimestre de 2017. No mesmo período, a queda no número de roubos e furtos foi de 22%.
Ontem, ao almoçar com lojistas de todo o Estado, no Recife, o governador citou a redução da criminalidade e fez menção de que a suposta melhora da sensação de segurança estimula o comércio. Como a redução se dá em cima de patamares muito elevados, os números se mantêm altos. Mas foi a primeira vez que o governador se favorece dos números da segurança pública no período, já que, durante os três primeiros anos de governo, a tendência foi de duro crescimento.
O ano de 2017 fechou com o histórico número de 5,4 mil assassinatos registrados. “Fizemos um conjunto de ações para poder prender quem está fazendo o mal em Pernambuco. E temos a polícia nas ruas para fazer a parte preventiva. Esse esforço vai continuar. Ele é incansável. Os números ainda estão muito aquém do nosso potencial, do que é necessário fazer. Mas nós já estamos mostrando que o caminho trilhado está certo”, discursou Paulo Câmara durante o encontro com os lojistas. “É só ver os números de março, 34% de redução. É só olhar abril, que não acabou ainda, mas está indo nessa mesma pisada. É só ver os números de roubos e de assaltos, que diminuíram mais de 20%. Assalto a ônibus caiu 60% nos últimos dois meses. Isso mostra claramente que a gente tem um caminho, uma estratégia”, disse o governador Paulo Câmara.
Na semana passada, o Estado deu posse a 1.281 policiais militares. Em setembro do ano passado, outros 1,5 mil PMs ganharam as ruas. Em janeiro, foi a vez de 1,2 mil policiais civis. O ciclo de contratações prevê agora a formação de 300 novos bombeiros militares. Além disso, há um plano do Estado para realização de concursos anuais na Polícia Miliar para suprir a demanda causada pela ida de homens para a reserva. O governo também criou sua própria versão do Batalhão de Operações Especiais (Bope), um novo batalhão especializado em Caruaru e uma nova Companhia Independente no Litoral Sul.
“No dia 12 de abril de 2017, o governador Paulo Câmara lançou um plano de segurança. Eram 15 ações. Nove estão prontas e entregues ao povo de Pernambuco. Quatro estão em andamento. Só duas que não rodaram ainda. Uma é a compra de helicópteros, por causa do crédito. Nós não conseguimos achar um financiamento barato. A outra são veículos para o Batalhão de Choque. Como o Choque foi ampliado para Petrolina e Caruaru, tivemos que redimensionar a licitação. Mas o plano está lá. O governador investiu, planejou e entregou. E junto com a entrega do plano, houve a redução dos números da violência”, explicou o secretário de Planejamento, Márcio Stefanni, coordenador do Pacto Pela Vida.
Só em 2017, o Estado afirma ter investido R$ 4,2 milhões na segurança pública, para tentar reverter o principal foco de críticas da oposição a tempo da campanha eleitoral. “Obviamente que o governador vai ter tempo de utilizar os recursos que estão disponíveis para tentar expor os resultados até a campanha”, explica o cientista político Ernani Carvalho, professor da UFPE. “Se ele vai aproveitar esses números, vai depender muito da dinâmica do debate político que será travado no Estado. A segurança estará na pauta, mas não será o único assunto”, explica.
A deputada oposicionista Priscila Krause (DEM) argumenta que Pernambuco continua tendo números alarmantes de homicídios, entre os mais altos do País. “Essa redução é referente ao ano anterior, que foi um recorde em 14 anos. O Estado precisa dar mais transparência a quem acompanha os números, declarar a metodologia, porque antigamente a divulgação era das últimas 24 horas, hoje é de mês em mês”, lembra a democrata. “O reflexo que terá na eleição eu não sei avaliar. Mas acho que o pernambucano vai pesar o significado de ter um governo sem liderança”, dispara Priscila.
Segundo o líder do governo no Legislativo, Isaltino Nascimento (PSB), a gestão sabe que os números ainda precisam ser melhorados, mas a redução ajuda a criar um conforto para a sociedade. “O principal mérito da preocupação do governador Paulo Câmara não é eleitoral ou político, mas sim de termos uma segurança pública no nível dos investimentos e do esforço que o Estado vem fazendo”, defendeu.

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