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domingo, 26 de março de 2017

Oásis que brotou no Sertão fica no passado


Localizada no coração do semiárido nordestino, a pernambucana Salgueiro foi há até pouco tempo um oásis no Sertão, ilha de prosperidade na região mais pobre do país. Atraídos por duas grandes obras de infraestrutura e milhares de empregos, a transposição do Rio São Francisco e a ferrovia Transnordestina, trabalhadores de todo o Nordeste chegaram a Salgueiro. Hoje ambas estão paradas, com a maior parte dos canteiros abandonada e trechos já prontos se deteriorando sem proteção contra sol e chuva.
A cidade de 60 mil habitantes integra o braço inicial do eixo norte da transposição, que era de responsabilidade da empreiteira Mendes Júnior, considerada inidônea por irregularidades investigadas na Lava-Jato e que abandonou a obra. O Ministério da Integração aguarda o desfecho de uma nova licitação para retomar as obras no trecho.
A posição estratégica - equidistante das principais capitais nordestinas e no cruzamento das BRs 232 e 116 - foi determinante para que Salgueiro também abrigasse o principal canteiro da Transnordestina. Iniciada em 2006, na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, a ferrovia tem projetado 1.753 km, dos quais só 600 km estão concluídos.
Concebida para interligar os portos de Pecém (CE) e Suape (PE) a regiões produtoras de grãos e minério no Piauí, a Transnordestina tem as obras paralisadas desde pelo menos o ano passado - há trechos parados há anos.
Embora esteja a cargo de uma empresa privada, a TLSA (Transnordestina Logística), subsidiária da CSN (Companha Siderúrgica Nacional), a obra sempre dependeu de aportes do governo federal. “Em janeiro passado, o TCU determinou a suspensão de repasses governamentais, apontando ‘alto risco de não conclusão” da ferrovia. Em nota, a TLSA se disse “totalmente empenhada no planejamento da retomada das obras de construção da ferrovia assim que possível”.
O ex-prefeito Marcones Libório (PSB), que administrou Salgueiro por dois mandatos (2009 a 2016) e presenciou o auge e a decadência da cidade, diz que a derrocada coincidiu com a crise econômica do país. “Se a região não tivesse se beneficiado com o período das obras, que atraiu outros investimentos no comércio e construção civil estaria pior”, afirma Libório.