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quinta-feira, 22 de junho de 2017

Fruticultores do Vale do São Francisco penam sem água


Principal polo de exportação de frutas do Brasil, o Vale do São Francisco ainda não sabe como proceder à suspensão de captação de água no Velho Chico que acontecerá todas as quartas-feiras até o fim do mês de novembro. A medida foi determinada pela Agência Nacional de Água (ANA) e começa a valer hoje. Diariamente, cerca de 26% do volume de água drenado do São Francisco em Pernambuco se destina à irrigação.
De acordo com a ANA, caso o racionamento não seja realizado, o volume útil do líquido no rio chegará a zero antes do ano terminar. Em Pernambuco, mais de 30 municípios sertanejos são abastecidos com a água retirada do São Francisco. Os recursos hídricos são responsáveis, ainda, por irrigar os cultivos de fruticultura em localidades como Petrolina, Santa Maria da Boa Vista e Petrolândia.
A captação de água continuará sendo permitida para o abastecimento humano e de animais, conforme prevê a Política Nacional de Recursos Hídricos (Lei 9.433/97), que considera esses casos prioritários quando há escassez de água. Os produtores da região do Vale do São Francisco, por outro lado, estão de mãos atadas.
"Nós precisamos de água diariamente e, até o momento, não fomos procurados para debater quais serão as alternativas para os produtores locais. Porque não podemos aumentar a captação de água nos outros dias para criar reservatórios, então ainda não sabemos o que poderemos fazer e estamos aguardando um posicionamento. Hoje, não haverá água para irrigar as culturas de frutas", comenta o presidente da Valexport, José Gualberto Almeida.
Diariamente, Pernambuco consome 81,6 metros cúbicos por segundo da área que vai de Sobradinho até o reservatório de Itaparica. De acordo com o superintendente adjunto de fiscalização da ANA, Alan Vaz Lopes, 80% do consumo da bacia está ligado à irrigação. "Estamos reduzindo paulatinamente a vazão porque chegou em um nível crítico. Se não fizermos nada, em meados de outubro ou novembro, todo o volume útil do São Francisco estará esgotado. Os cultivos são os mais prejudicados, seguido dos setores de indústria e mineração", aponta. Ainda de acordo com Lopes, a suspensão foi negociada com o Comitê Hidrográfico do São Francisco e representantes dos Estados de Pernambuco, Bahia, Sergipe, Alagoas e Minas Gerais.
Para a ANA, a única saída é reduzir o desperdício de água e racionar, já que não serão permitidas captações extras nos outros dias da semana. "Pedimos aos produtores que planejem melhor a irrigação para evitar desperdícios. Mesmo com a redução do consumo, será possível continuar as atividades normalmente", diz o superintendente adjunto da instituição.
A fiscalização para saber se a suspensão está sendo respeitada será realizada por meio do monitoramento do gasto energético dos consumidores e com a colaboração dos próprios usuários.
ENERGIA
De acordo com o presidente da Chesf, Sinval Zaidan Gama, a geração de energia elétrica não será prejudicada, já que a vazão de Sobradinho continua a mesma, de 600 metros cúbicos por segundo. O patamar é o menor da história.