terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Governo Lula reduz para R$ 1.627 previsão de salário mínimo de 2026 após inflação menor


O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) revisou para baixo a projeção do salário mínimo de 2026. A estimativa passou de R$ 1.631 para R$ 1.627, uma redução de R$ 4 impulsionada pela expectativa de inflação mais baixa em 2024.

Mesmo com o ajuste, o novo valor representa um reajuste de 7,18% em relação ao piso atual, de R$ 1.518, seguindo a política de valorização do salário mínimo, que garante aumento real — acima da inflação — todos os anos.

O valor definitivo do piso será conhecido em 10 de dezembro, quando o IBGE divulgar o INPC de novembro, índice que serve como base para o cálculo do reajuste.

Atualização dos parâmetros orçamentários

A revisão foi comunicada pela ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, ao presidente da Comissão Mista de Orçamento, senador Efraim Filho (União-PB). A atualização integra os parâmetros utilizados no PLOA de 2026 (Projeto de Lei Orçamentária Anual).

No novo conjunto de projeções, o governo também revisou as estimativas dos anos seguintes:

2027: de R$ 1.725 para R$ 1.721

2028: de R$ 1.823 para R$ 1.819

2029: de R$ 1.908 para R$ 1.903

Impacto no Orçamento

O salário mínimo é referência para despesas obrigatórias do governo federal, como aposentadorias do INSS e o BPC (Benefício de Prestação Continuada). Qualquer variação no piso salarial tem impacto direto no volume total de gastos públicos.

A política de valorização do mínimo considera dois fatores:

1. Inflação medida pelo INPC entre dezembro do ano anterior e novembro do ano corrente;

2. Variação do PIB de dois anos antes — neste caso, o de 2024.

Embora o PIB de 2024 tenha crescido 3,4%, segundo o IBGE, o ganho real a ser incorporado ao salário mínimo será de até 2,5%, teto previsto pelo arcabouço fiscal. A regra limita o aumento acima da inflação para evitar elevação acelerada de despesas obrigatórias, como benefícios previdenciários, que poderiam pressionar o espaço para investimentos e outras despesas discricionárias.

Sustentabilidade fiscal em foco

Ao adotar o limite para o ganho real, o governo busca equilibrar o compromisso de valorização do salário mínimo com a responsabilidade fiscal. A medida tenta impedir que a expansão dos gastos obrigatórios comprometa a sustentabilidade das contas públicas e reduza a capacidade de investimento do Estado.

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