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terça-feira, 4 de julho de 2017

Ex-prefeito de Serra Talhada abre baú e revela histórias inéditas


“Fiz uma limpeza. Acabei com tudo de errado que existia na prefeitura!”. É com essa frase emblemática que Antônio Andrade Policarpo, ou simplesmente, Seu Madeira, como é popularmente conhecido, definiu a sua administração como prefeito de Serra Talhada em 1959.

Ele assumiu o cargo após o titular da cadeira, Luiz Lorena, renunciar para assumir uma vaga na Assembleia Legislativa do estado. Após o mandato, Madeira não quis mais disputar cargos eletivos. Ao comparar os políticos atuais com os do seu tempo, o simpático senhor é taxativo: “Os políticos daquela época tinham mais palavras, os de hoje são muito atrapalhados (conduta ética e coerência política)”.

Nascido em 06 de julho de 1925, Seu Madeira é filho do também ex-prefeito, Manoel Joaquim Policarpo Lima (1930/1936), conhecido com Nênen Jurubeba. Funcionário público aposentado e casado com Dona Maria Leonor Godoy Peixoto, ele mantêm os mesmo hábitos de tempos atrás, como ir ao barbeiro, e leva uma vida tranquila morando na casa adquiriu no ano de 1949.

O casal não teve filhos, mas como ele mesmo diz: “Não tenho filhos biológicos, mas tenho muitos filhos de coração espalhados por todo canto. Criei uma ruma de menino. Formei e casei um bocado deles”.

PAIXÃO

Seu Madeira é fã de carros antigos, inclusive, já participou de grandes eventos nacionais voltadas para o gênero, ele possui uma relíquia automobilística, que é um Aero Willys de 1961. “Comprei o Aero Willys ‘zero Km’ e trouxe do Recife. Já quiseram comprar, mas não dou ele por dinheiro nenhum. Também tenho um Monza de 1967”.

A paixão do ex-prefeito por carros surgiu ainda na juventude, sendo que o mesmo era um dos únicos donos de automóvel da cidade, fato que lhe permitiu transportar figuras importantes da política regional durante a primeira metade do século passado.

“Meu primeiro carro foi comprado em 1949. Foi um Ford 1929. Eu era um dos únicos que tinha carro e quando chegava alguém no campo (pista de pouso do avião) eu ia pegar e trazia no meu carro. Trouxe Agamenom Magalhães, Etelvino Lins… Tudo que se precisava era comigo. Viajei com pessoal do Banco do Brasil, com fiscais que vinha fiscalizar os empréstimos bancários”, relatou.

Festa do Algodão (1953)

“Eu fui pra lá (Fazenda Saco). Todo mundo foi pra lá! Os hotéis da cidade ficaram entupidos de gente… Os políticos da região foi tudinho pra lá. Os políticos daqui não gostaram da atitude de Assis Chateaubriand (Beijo na face da Rainha Tereza Bené) e colocaram ele pra correr. Saiu daqui fugido”.

Água na primeira metade do Século 20

“O povo tirava água (limpa) pra beber de um cacimbão (no Rio Pajeu) que meu pai construiu quando era prefeito”.

Motor que gerava energia

“Quando uma peça quebrava ficava tudo escuro. Ficava todo mundo à luz de vela e do candeeiro, e tinha vez que passava muito tempo porque as peças vinham de fora”.

A divisão social dos clubes de ST

“Havia o clube dos ricos e o dos pobres. O Líder Clube era dos granfinos, que ficava aqui nessa rua (Rua Cornélio Soares) e o dos pobres ficava na Rua 15 de Novembro (Na época chamada de Rua do Cisco), o nome era até bonito… (Infelizmente ele não se lembra do nome do clube)”.

Quando o avião chegava…

“Quando chegava um avião era muita gente esperando. Tinha uma cerca de arame e a polícia não deixava ninguém encostar (no avião) com medo de alguém fazer alguma presepada, mas ninguém nunca fez nada”.

O primeiro trem

“A chegada do trem foi bom demais. Eu tava lá! O primeiro trem vinha do Recife, vinha só passageiro. Quem mais usava o trem era o povo mais simples, os burguês só andavam de automóvel (viagem para outras cidades)”.

A chegada da televisão

“Tinha um chefe dos Correios aqui. Ele comprou uma televisão e o povo foi assistir na casa dele… um jogo de futebol. Ele era dos ‘carvalhos’ e viciado em torrado (rapé).”